Glossário do investidor
Termos de ações e opções explicados de forma direta — cada um com link pra ver na prática, com dado real da B3.
Indicadores fundamentalistas
- P/L (Preço sobre Lucro)
- Preço da ação dividido pelo lucro por ação dos últimos 12 meses. Diz quantos anos de lucro atual seriam necessários pra "pagar" o preço da ação — quanto menor, em tese mais barata a empresa está em relação ao que ela lucra. Só faz sentido comparar entre empresas do mesmo setor, já que setores diferentes têm P/L historicamente diferentes. Ver P/L de todo o Ibovespa →
- P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial)
- Preço da ação dividido pelo patrimônio líquido por ação (o que sobraria por ação se a empresa fosse liquidada hoje, pagando tudo que deve). P/VP abaixo de 1 significa que a ação vale menos na bolsa do que o patrimônio contábil da empresa — pode ser uma pechincha ou um sinal de que o mercado desconfia desse patrimônio. Ver P/VP de todo o Ibovespa →
- DY (Dividend Yield)
- Quanto a empresa pagou em dividendos e JCP nos últimos 12 meses, dividido pelo preço atual da ação — em percentual. Um DY de 8% significa que, ao preço de hoje, você recebeu o equivalente a 8% do valor investido em proventos no último ano. Yield alto demais (acima de uns 15-20% ao ano) geralmente é sinal de preço defasado, não de generosidade da empresa. Ver ranking de dividend yield →
- ROE (Retorno sobre Patrimônio)
- Lucro líquido dividido pelo patrimônio líquido, em percentual — mede o quanto a empresa consegue gerar de lucro com o capital próprio que já tem investido. ROE de 20% ao ano é considerado bom pra maioria dos setores; bancos e empresas mais alavancadas costumam ter ROE naturalmente mais alto que indústrias de capital intensivo. Ver ROE de todo o Ibovespa →
- Margem líquida
- Lucro líquido dividido pela receita total, em percentual — de cada R$ 100 que a empresa fatura, quanto sobra de lucro depois de todos os custos, despesas, juros e impostos. Setores de serviço e tecnologia costumam ter margem mais alta que varejo ou commodities, onde a margem naturalmente é mais apertada. Ver margem líquida de todo o Ibovespa →
- Dívida/Patrimônio
- Dívida total dividida pelo patrimônio líquido — mostra o quanto a empresa está alavancada (endividada) em relação ao capital próprio. Um valor de 1,0x significa que a dívida é do mesmo tamanho do patrimônio. Bancos naturalmente operam com esse número bem mais alto (é assim que o negócio funciona), então não dá pra comparar direto com uma indústria comum. Ver dívida/patrimônio de todo o Ibovespa →
- EV/EBITDA
- Valor da empresa (valor de mercado + dívida líquida) dividido pelo EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) — um múltiplo de valuation parecido com o P/L, mas que ignora a estrutura de capital (quanto é dívida, quanto é patrimônio) e o efeito contábil da depreciação. Por isso é mais usado pra comparar empresas de setores intensivos em capital fixo, como energia e infraestrutura. Ver EV/EBITDA de todo o Ibovespa →
Proventos
- Dividendo
- Parte do lucro que a empresa distribui aos acionistas, isento de Imposto de Renda pra pessoa física. É a forma mais comum de provento em ações brasileiras. Ver calendário de proventos →
- JCP (Juros sobre Capital Próprio)
- Outra forma de distribuir lucro aos acionistas, mas com tratamento tributário diferente do dividendo: tem retenção de 15% de Imposto de Renda na fonte, já descontado no valor pago. Empresas usam JCP porque o valor pago é dedutível do lucro tributável da própria empresa — reduz o imposto que ela paga. Ver calendário de proventos →
- Data-com e data-ex
- Data-com é o último dia em que é preciso ter a ação em carteira pra ter direito ao provento anunciado. A partir do dia seguinte (data-ex), quem compra a ação já compra "sem" aquele provento — e o preço da ação normalmente cai no valor do provento nesse dia, já que quem compra depois não vai mais recebê-lo.
- Data de pagamento
- Dia em que o valor do provento efetivamente cai na conta da corretora — pode ser semanas ou até meses depois da data-com/data-ex. Ver calendário de proventos →
Opções
- Strike (preço de exercício)
- Preço combinado no contrato de opção — o valor pelo qual o titular de uma call tem o direito de comprar (ou o titular de uma put, o direito de vender) o ativo-objeto até o vencimento. Ver cadeias de opções da B3 →
- Vencimento
- Data-limite em que a opção deixa de existir — depois dela, o contrato é exercido, liquidado financeiramente ou simplesmente vira pó, dependendo do que aconteceu com o preço do ativo-objeto até lá.
- Call e Put
- Call é a opção de compra: dá ao titular o direito de comprar o ativo-objeto pelo strike até o vencimento. Put é a opção de venda: dá o direito de vender pelo strike. Quem lança (vende) o contrato assume a obrigação do lado oposto.
- Prêmio
- Preço da própria opção — o que o titular paga e o lançador recebe pra entrar no contrato. É o valor que aparece cotado no book, diferente do strike (que é fixo, definido no lançamento da série).
- Contratos em aberto (Open Interest)
- Quantidade de contratos de uma série que ainda não foram fechados (por exercício, virada ou zeragem) — ou seja, posições realmente abertas naquele strike/vencimento. É diferente de volume negociado no dia: um contrato pode trocar de mão várias vezes sem alterar o open interest. Ver contratos em aberto por strike →
- Coberto, travado e descoberto
- Formas de classificar a posição de quem lançou (vendeu) a opção. Coberto: o lançador já tem o ativo-objeto (ou outra opção) garantindo a operação, se o exercício vier ele já tem o que entregar. Travado: a posição está protegida por outra opção que limita a perda. Descoberto: o lançador não tem nenhuma garantia — o risco é maior, e é essa parcela que costuma preocupar mais no mercado. Ver contratos em aberto por strike →
- Max Pain
- Strike em que, se o ativo-objeto fechar exatamente ali no vencimento, o total pago pelos lançadores (quem vendeu as opções) aos titulares (quem comprou) é o menor possível. É uma leitura de mercado, não uma previsão — mostra onde a "dor" de quem lançou opção seria mínima, mas o preço pode fechar em qualquer lugar. Ver mapa de strikes e max pain →
- Titular e Lançador
- Titular é quem compra a opção (paga o prêmio, fica com o direito). Lançador é quem vende (recebe o prêmio, assume a obrigação caso o titular decida exercer).
- ITM, OTM e ATM
- Descrevem a relação entre o strike da opção e o preço atual do ativo-objeto. ITM ("in the money", dentro do dinheiro) é quando exercer a opção hoje daria lucro. OTM ("out of the money", fora do dinheiro) é quando exercer daria prejuízo. ATM ("at the money", no dinheiro) é quando o strike está bem próximo do preço atual do ativo.
Mercado e ativos
- Ibovespa (IBOV)
- Principal índice da bolsa brasileira — uma cesta com as ações de maior liquidez negociadas na B3, ponderada pelo volume negociado de cada uma. Serve como termômetro geral do humor do mercado brasileiro. Ver o Ibovespa →
- BDR (Brazilian Depositary Receipt)
- Certificado negociado na B3 que representa uma ação de empresa estrangeira (Apple, Amazon, Google etc.) — permite investir em ações de fora sem precisar de conta em corretora internacional, mas sem os mesmos direitos de acionista direto.
- Unit
- Pacote que reúne mais de um tipo de ativo (geralmente ações ordinárias e preferenciais da mesma empresa) negociado como um único código na bolsa, terminado em "11".
- FII (Fundo de Investimento Imobiliário)
- Fundo que investe em imóveis físicos ou em papéis do setor imobiliário (CRI, LCI) e distribui a renda gerada (aluguéis, juros) mensalmente aos cotistas, isenta de Imposto de Renda pra pessoa física em boa parte dos casos. Negociado na bolsa como uma ação, código terminado em "11".
- Ticker (código de negociação)
- Código curto usado pra identificar um ativo na bolsa — 4 letras (a raiz, geralmente ligada ao nome da empresa) mais um número que indica o tipo de ação: 3 é ordinária (ON, direito a voto), 4 é preferencial (PN, prioridade no recebimento de dividendos), 11 costuma ser unit ou FII.
- Volume financeiro
- Total em reais negociado de um ativo num pregão — quantidade de contratos ou ações multiplicada pelo preço de cada negócio. Serve como medida prática de liquidez: quanto maior o volume, mais fácil entrar e sair da posição sem afetar o preço.
As informações e indicadores exibidos têm caráter meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação, oferta ou análise de valores mobiliários nos termos da Resolução CVM nº 20/2021. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do usuário.